quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Vivência familiar

Os estudiosos do comportamento humano são praticamente unânimes em afirmar que a qualidade da vida humana depende basicamente da estrutura da família. O projeto de Deus e da Igreja coloca a família como berço da vida, escola dos valores e alicerce natural da sociedade.
É bom saber que toda estrutura da criação é de ordem familiar, desde a formação das galáxias até a estrutura interna do átomo. A própria estrutura dos órgãos e das células do corpo humano é de ordem familiar. Romper esta ordem é adoecer o cosmos, a estrutura da criação, das criaturas e do corpo humano. Então agora pergunto: Se tudo é família, existe e vive numa relação de estrutura familiar, como questionar que a família é fonte e santuário da vida?

Não somos apenas seres finitos em nossa estrutura pessoal. Somos seres espirituais. Como seres espirituais somos formados por uma estrutura humano-divina. Somos seres nascidos no tempo, mas em nossa vocação maior somos feitos para além do tempo, para a eternidade.
Para um cristão é impensável buscar esta sólida vivência em família fora dos ensinamentos de Deus. Como é possível ser pleno na relação amorosa entre homem e mulher, pais e filhos longe do que Deus nos ensinou? Dentro da criação e das criaturas, nós humanos somos os únicos seres dotados de uma natureza humana e divina. Somos chamados a viver e a existir segundo nossa vocação maior de "imagens de Deus" Gn 1,26.

Existir e viver "como imagens de Deus" não é ter um rosto humano determinado. Deus tem o rosto de todos os povos e de todas as pessoas. Ser e existir como "imagens de Deus" é sermos imitadores de sua vida. É buscarmos viver uma vida de comunhão no amor e na partilha, no espírito de fraternidade e de solidariedade humana e espiritual com todos, não importa a condição social, a cor, a raça, o credo ou religião. Somos filhos e filhas do mesmo Deus Pai, chamados a uma vida feliz, dotados da mesma dignidade e dos mesmos direitos na participação dos bens da criação, como dos bens do progresso das conquistas humanas.
Acima de tudo viver e existir como imagens de Deus é ter a consciência que em virtude dos méritos da redenção de Cristo todos somos chamados a viver no compromisso do amor mútuo, na busca da justiça para todos, particularmente da justiça pra com os mais pequeninos e feridos, formando a grande família humana a caminho da casa do Pai, a eternidade.

Qual sua importância na vida das crianças?


Viver e crescer inserido dentro de uma família é de fundamental importância para a criança. Tem um filósofo alemão chamado Phillip Lersch, ele é autor de um livro chamado ‘Estrutura da Personalidade’, nesse livro ele traz o tema da família: ele comenta que a família é muito mais que uma construção social, não é uma invenção humana para responder suas necessidades, principalmente social, a família faz parte do cerne do homem, é a essência do ser humano. A família é como o ar que respiramos e como a comida que necessitamos; como não podemos viver sem o ar e sem comida, também não podemos viver sem a família; como o corpo precisa do ar e do alimento para crescer em estatura, o ser humano precisa da família também para poder desenvolver em sabedoria.
Sem a presença do ar e do alimento nosso corpo pode perder suas funções vitais, pode atrofiar-se e a tendência é o caminho da morte desse corpo, assim também acontece quando um ser humano não cresce dentro de um seio familiar. A família é fundamental para o desenvolvimento e crescimento do ser humano. Veja bem, uma criança inserida dentro de uma família, o seu crescimento é completo: cresce fisicamente, psiquicamente e espiritualmente.
Quando comento sobre a dimensão espiritual do ser humano não reduzo somente à sua religiosidade, mas sobre a sua vivência no mundo, com tudo aquilo que ele colhe sob a influência do mundo e o que ele interfere no mundo por causa de sua presença. Dentro disso, podemos pensar que é no seio familiar que a criança vai firmando e tornando mais claro seu sentimento de pertença, ou seja, só sentirá que pertence a uma raça, a uma nação, um estado, um município, um bairro e até mesmo uma religião, porque primeiro sentiu que pertence a algo, a alguém, ou melhor, pertence a uma família; é dentro da família que a criança vai adquirindo os valores, tantos os valores universais, morais, éticos, como os valores religiosos, é na família que ela experimentará a vivência das virtudes, o sentimento de justiça, é ali quando se percebeu livre e amada que aprendeu a sair de si para ir ao do outro; é a família que ajudará a criança a desenvolver uma presença afetiva, responsável e livre no mundo e que ajudará a pessoa a ser verdadeiramente humana.

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